Por sugestão da nossa colega Carla Afonso venho abrir um novo tópico de discussão.
HO/Dentista - A nível da escovagem parece que está a conseguir um bom controlo, mas continua com Tartaro entre os dentes. Não tem usado o fio?
Pacientes - Não tenho paciencia para isso; Dá muito trabalho; Não gosto de usar; Não tenho jeito; Fico sempre a sangrar; Venho cá depois para se limpar; etc, etc.
Quem ainda não se debateu com este tipo de resposta? Deixo então aqui a oportunidade de trocarmos estrategias e argumentos de modo a convencer os nossos pacientes a usar o fio dentário.
Victor Assunção




Olá! Primeira participação no blog, acho que foi uma excelente ideia.
Além de explicar que os pêlos da escova não conseguem penetrar nessa zona, que o fio é o único modo de retirar a placa aí e evitar o tártaro, por vezes digo para o paciente experimentar cheirar o fio depois de usar! Já tem resultado e depois na consulta seguinte dizem que finalmente perceberam como é importante. É caso para dizer que por vezes o cheiro vale mais que mil palavras! ehehe
Olá. Pois é, essa reposta do “não tenho paciência”, “o fio não passa”, etc., é muito típica. Além de dizer, também para cheirarem o fio depois de o fazerem, pergunto, muitas vezes, se quando tomam banho não tem de levar entre os dedos dos pés, para ficarem bem limpos, ou também não conseguem, ou não tem tempo… Faço isto mais com os míudos e adolescentes e até resulta. Saudações alentejanas.
Lídia
Olá,
contaram-me uma história deliciosa. Era assim: e se de repente, depois de pedirmos ao paciente para usar o fio dentário, da forma que quiser, ou se ele não conseguir, colocar-mos nós o fio na boca do paciente, o fio vier com sangue? Falamos de gengivite? Não, ainda não, podemos, esta é a parte deliciosa da história, perguntar: Já reparou que se tivesse uma ferida deste tamanho estaria muito preocupado? Isto saiu de toda a sua gengiva…é uma grande ferida, não é? E pronto, depois é só regar com um bocadinho de gengivite ou periodontite, aplicar um pouco de gestão do esforço e gestão de percepções e, quem sabe, talvez funcione…
Na realidade não existem estratégias mágicas, existem situações que se adaptam a perfis de personalidade, de cultura, de QI dentários, da situação temporal dos pacientes (se estão bem com a vida, se estão a gerir tempos próprios e profissionais sem grandes conflitos) perfis que se adaptam ás percepções e objectivos de cada um…
Mário Rui Araújo
Olá,
este tipo de respostas para todos nósjá fazem parte do nosso quotidiano, no entanto ontem obtive a melhor resposta de sempre. A menina tinha 14 anos e queria que eu, à força, obrigasse a mãe a colocar-lhe o aparelho fixo. tentei dar a volta ao assunto começando pelas suas “responsabilidades” em termos de cuidados diários (escovagem, fio-dentário), quando cheguei a esta parte a resposta foi a seguinte: “Como é que eu posso fazer fio-dentário, eu já tenho os dentes tortos, e cada vez que utilizo o fio eles ficam cada vez mais tortos”, pedi-lhe para ela me explicar o porque dessa observação e pedi para me exemplificar, a resposta foi: “já disse, tenho uma colega que antes de colocar o aparelho fixo o seu médico dentista lhe disse para não usr o fio, porque ficaria com os dentes mais tortos, por isso eu não vou usar e muito menos exemplificar por porque tortos já eles estão”. O que é que se diz a alguem que nos possa dar este tipo de resposta!!!! Esta é a nova teoria!!!
Beijocas
Helena
Podes sempre dizer-lhe que o Pinóquio não mente tanto…
Argumentos têm sido mais que muitos e as pessoas parece que estão cada vez mais resistentes, embora nunca tenha tido uma resposta tão radical como a que foi dada à Helena.
Por vezes explico que das 5 superfícies expostas à cavidade oral apenas 3 são escovadas, mas para tornar a coisa mais chocante falo em percentagens de superfícies não higienizadas. Quando digo que 40% das superfícies ficam por limpar tenho notado uma maior atenção por parte dos pacientes.
Já tentei a estratégia da Lídia e resulta mais com adolescentes, embora ache que seja um argumento mais radical e que se tenha que pensar muito bem com quem se está a falar, correndo o risco de ofender alguém.
O argumento da ferida que o Mário faz referencia também tem resultado bem e capta a atenção do paciente.
Por vezes brinco que um dia vou criar um serviço SMS de higiene oral em que semanalmente enviarei uma mensagem a relembrar que tem que fazer o fio. nunca se sabe se não seria um bom negocio
Altamente recomendado para pacientes que dizem sempre que usaram o fio no 15 dias posteriores à consulta e que depois nunca mais o usaram.
Victor Assunção
Ola, interessante a discussão. Acredito que a não utilização de fio dental é provocada pela falta de hábito. Escovar dentes muitas vezes é um ato mecânico e quase inconsciente, onde a utilização de fio não faz parte.
Acredito que o paciente tem que ser “obrigado”, pelo menos durante alguns dias, muitas vezes adquirindo o hábito. Para fazer isto utilizo algumas técnicas, como por exemplo: para pacientes fumadores, recomendo que durante 10 dias utilizem o fio e um pouco de pasta (dou uma pequena amostra de pasta profilática, o suficiente para não causar estragos), obrigatoriamente duas vezes ao dia. Para pacientes com sensibilidade dentária faço o mesmo, mas utilizando algum gel.
É luta do dia a dia insistir no fio dental.
[]´s JV
Em especial no Verão.
Olá,
Também acredito que o hábito faz o monge. E como tal digo aos pacientes mais renitentes para irem fazendo fio, todos os dias, só no 2º e 5º sextante, é o sítio mais fácil e após 2 a 3 semanas irem passando para os posteriores. Com alguns tem funcionado, mas com outros é só no 1º e 2º mês depois acaba.
Então e a história de que fio espaça os dentes, ficam mais “abertos”, já ouviram?
Fiquem bem, boa semana para todos.
Essa história dos dentes “abertos” é gira. Nesses casos gosto de fazer a demonstração na boca do doente e mostrar-lhe a colheita de placa bacteriana que vem no fio.
Também há quem diga que “corta a gengiva”. Aqui, gosto de explicar que a hemorragia denuncia a existência de inflamação, pelo que é precisamente nesses locais que o doente deve insistir com o uso do fio dentário.
Cumprimentos.
P.S. - Ontem mudou a hora. São, na realidade, 00:32.
Bom dia.
Ajuda bastante, para além de exemplificar nos anteriores, passar sempre o fio do 1º ao 4º Quadrante para que o paciente “sinta” o efeito e para que nao exista a desculpa de que “nos dentes de trás nao passa!”. Se o paciente nao “sentir” que o fio de facto faz diferença, nunca o vai usar… Que feedback têm tido os colegas em relação aos aplicadores de fio/easy flossers ?
Cumps.*
Olá colegas, obrigado pelas ideias
Acho que o colega Mário Rui tem um argumento ainda com mais impacto
Mário, conta lá aquela que nos leste naquela formação na FMD que vem num tal livro americano. Essa sim… irresistível!
bji
Carla Afonso
Tenho tido alguns bons resultados com os easy flossers ou suportes de fio, especialmente para aqueles pacientes que têm menor destreza manual.
Ainda não usei o Hummingbird oral b, por acaso alguém tem feedback deste aparelho?
Vou deixar uma entrada na pagina principal da tertúlia com um link para verem o Hummingbird.
Victor Assunção